Como o ecoturismo pode ajudar o Pantanal a renascer das cinzas após queimadas
Em vez de excursões para avistar onças-pintadas, tuiuiús e jacarés, no último mês o pantaneiro Eduardo Falcão organizou brigadas para combater os focos de incêndio que pareciam brotar do chão em sua propriedade. No hotel de Leopoldo Nigro Filho, os hóspedes não eram turistas maravilhados com o pôr do sol refletido nas águas do Rio Pixaim, e sim bombeiros, veterinários e voluntários que correram para o Pantanal Norte, no Mato Grosso, para tentar controlar o fogo que já atingiu mais de 20% do bioma este ano e salvar parte da rica fauna do lugar.
Os estabelecimentos de Falcão e Nigro ficam na região da Rodovia Transpantaneira, que, antes de virar epicentro da maior queimada dos últimos anos, era o principal centro turístico do Pantanal mato-grossense. O trecho, entre os municípios de Poconé e Porto Jofre, é vizinho também do Parque Estadual Encontro das Águas, onde há uma das maiores concentrações de onças-pintadas do mundo e que foi severamente destruído pelas chamas.
Com a brasa ainda quente da tragédia ambiental, e sob as cinzas dos meses em que a pandemia afastou de lá os visitantes, hotéis e operadoras de turismo se preocupam com o futuro. Sem os visitantes internacionais, a retomada das atividades, após meses em quarentena, coincidiu com a temporada das queimadas.
— Até agora, cerca de 90% das reservas dos hotéis da região já foram canceladas. Juntando a pandemia e as queimadas, os hoteleiros preveem que fecharão 2020 com apenas 20% ou 30% do número de hóspedes que tiveram no ano passado — afirma o secretário adjunto de Turismo do Mato Grosso, Jefferson Moreno, que aposta na promoção do destino dentro do estado para balancear esta equação.
Por Eduardo Maia (O Globo)
